poesia de inspiração angolana
Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
CINCO BELEZAS DE ANGOLA - 5

A caminho do planalto

ao cair da noite quente...

 

...longas tranças pelos meus dedos deslizaram

sobre a pele de seda de uns ombros

meus lábios pousaram...

 

No Cuangar subi ao planalto...



publicado por zé kahango às 04:39
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CINCO BELEZAS DE ANGOLA - 4

os que brandiram a zagaia,

os alegres,

os de serra-abaixo,

os kuvale,

em Capangombe pastam suas manadas




publicado por zé kahango às 04:38
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CINCO BELEZAS DE ANGOLA -3

para que lhe não fugisse

a minha alma de guelengue

na doce calma de Quilengues

um inocente olhar tanto me disse



publicado por zé kahango às 04:37
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CINCO BELEZAS DE ANGOLA - 2

Para trás ficara o Viriambundo,

seguia para lá da Cahama,

rumara ao Sul procurando

a sua princesa cuanhama.

 

O Cunene atravessara,

na margem certa estava;

os embondeiros assinalavam

o que para a vida inteira não chegava.

 

Gastos os nonkakos,

nas pedras e secas mulolas,

eis que lhe surgiu, como miragem.

 

Foi forte visão, contrastada,

impacto brutal, choque solar.

 

Tomou-se-lhe de amores, o meu amigo

- perdeu-se, ou encontrou-se...

 

Ah, destino da tristeza:

nos braços de ébano se acabar,

nos lábios do maboque o sabor,

da Cuanhama Princesa.



publicado por zé kahango às 04:34
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CINCO BELEZAS DE ANGOLA - 1

Ah, amigos meus! A paixão me prende...

aos lábios dessa Muíla, desde esse dia.

 

Presos meus olhos aos seus encantos,

à espera do seu olhar

sangra-me o peito na demora

de saber o seu sabor...



publicado por zé kahango às 04:33
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MUCANCALA

Do oriental setentrião,

do lendário Gengis Cão,

veio em perdida emigração.

 

Atravessados vales, subidas serras,

escalados montes, achadas as fontes,

encontrou as prometidas terras.

 

Aqui um povo encontra seu destino,

sua paz, seu sorriso de menino.

 

Em remotos genes, a eterna Alma

que em África sempre se renova.



publicado por zé kahango às 04:32
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BOSQUÍMANE

conheces o cheiro dos mutiatis

quando a noite cai sobre o mato

e no seu mistério estás em casa



publicado por zé kahango às 04:31
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MUHUMBE

Orelhas de elefante no penteado,

logo do Cunene desçam as águas

seguirás para Nameculungo.

 

Verás que não perdes a festa do tchindere.




publicado por zé kahango às 04:30
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MUXIMBA

Num sereno chão que germina,

numa solidão de quem só o imagina,

um povo curte suas peles,

e de suaves argilas se enfeita.

 

Não longe de Epupa,

onde as águas troam

em apertada garganta,

no teu kimbo te vi,

em tons de ocre,

irmã das pedras.



publicado por zé kahango às 04:28
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RAPARIGAS DO CUAMATO

Há batuque em Ondjiva.

São as mulheres guerreiras.

Se não as vês da picada,

podem estar atrás dos embondeiros.

 

Segue o som dos n'gomas,

cada vez mais forte,

já estamos perto.

 

Esta é a terra das grandes batalhas.

Tão árida que o sangue não empapou.

Por isso são vermelhos os panos.

 

Onde houve morte tem de haver nova vida.

Por isso aqui têm de estar as mulheres.

E por isso as suas cabeças se tingem de vermelho.

 

E não pára o batuque.



publicado por zé kahango às 04:23
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MUCUBAL

Mãe dos pastores,

do deserto solene a altivez

levas em teu plácido rosto.

 

Vais segura da eternidade,

serena como os bois que guardas,

como ainda os segredos do nonpeke.

 

Gioconda do Iona

chamar-te-iam os guardiões dos ateliês

se para tanto se despissem

de todos os setentrionais atavios

e apenas ao teu pano de toucado

se ativessem.



publicado por zé kahango às 04:22
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MULHER ANGOLANA

Mulher Angolana

que teus filhos entregas

à Terra imensa -

como teus lábios

de tenros talos sequiosa

de pèzinhos dos omonas -

que rápidos aprenderão

em correrias pelo seu chão

a trepar aos paus sem medo,

a matar a fome com goiabas...

 

Mulher Angolana

ainda teu olhar é de menina,

tens voz de vivida calma

e o olhar profundo e distante.

 

Ao pé de ti

o meu coração se encosta,

sente bater teus passos quentes,

certo de que sempre me acompanhas...



publicado por zé kahango às 04:21
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