poesia de inspiração angolana
Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006
Voa, coração

Voa, voa, oh meu pobre coração,
vai nas asas do teu branco peito,
como no do corvo, nosso irmão.
Chora porque o Nene não alcanças,
das suas águas não lhe vês o leito;
mas vai voando com esperanças.

Um dia nas suas pedras pousarás;
e ali doce e tranquilo ar respirarás,
numa bem calma e tépida ternura.
Voando, meu coração, meu corvo,
vai; não te importes com o estorvo.
Vai: é lá que a Água da Vida é pura!

__________________
josé (Kahango) frade



publicado por zé kahango às 17:58
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Segunda-feira, 25 de Setembro de 2006
as cadeirinhas

No Lubango, os meninos
vão à escola, pequeninos,
têm vontade de aprender.
Cadeirinhas eles carregam
p'ra que sentados escrevam
o seu Futuro no Saber.



publicado por zé kahango às 13:04
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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006
a hora da onça

esta é a hora brumosa
em que o tempo suspenso
demora um pouco à espera
que ao longe a onça apareça...

esta é a hora de espera
em que sombras cinzentas
vão se movendo lentas
vão se fugindo e apagando...

esta é a hora fugaz
tão passageira e veloz
como lento pode ser o tempo...

__________________
josé (Kahango) frade



publicado por zé kahango às 14:36
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O OÁSIS

Pelo deserto seguíamos, há já muito,
para trás cruzáramos o Munhino
e as grandes rochas à beira do caminho.

Pedras, muitas pedras, a que há séculos
os colonizadores indagaram seus mistérios,
que antes lhes veneraram os mucubais os segredos.

Descendo agora a íngreme encosta,
ao longe abaixo distinguimos já um verde vale,
deslumbre espantoso na rude paisagem -

o oásis do Giraúl !

De súbito terminava a secura, com um lago de nenúfares,
verdejantes milheirais e frescura acolhedora!
À beira da estrada, logo nos vinham vender maçarocas fumegantes...

__________________
josé (Kahango) frade



publicado por zé kahango às 14:31
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006
LUBANGO

É tempo de cacimbo,
meus lábios estão secos,
e nas ruas do Lubango
se vende fruta madura.

mamão, maracujá,
banana de Benguela,
laranjas da Huíla, abacates,
maçãs da Humpata,
morangos da Palanca,
manguinhas do padre Carlos...

"- Leva só, tio, é a duzentos!..."

gindungo, ginguba...

Os jacarandás já estão floridos.

Envoltos nos panos,
calmos e embalados
na cacunda das mães,
os meninos sabem
que nas ruas do Lubango
a sua esperança nunca será vendida.

__________________
josé (Kahango) frade



publicado por zé kahango às 23:49
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